para:
manuel bandeira
nelson rebello (oil man)
rodrigo madeira
dalton trevisan
Vou-me embora pra Curitinopla
Lá sou amigo do Oil Man
Lá vive a morena que eu quero
Na cidade onde sou refém
Vou-me embora pra Curitinopla
Vou-me embora pra Curitinopla
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo incongruente
Que um poeta louco da Saldanha
Que versa principescamente
Vem a ser preteritamente
O agora que nunca tive
E farei footing no Barigui
Andarei de bicicleta
Montarei em bi-articulado
Subirei na torre da Telepar
Tomarei banhos de chafariz!
E quando estiver cansado
Deito à beira da ciclovia
Mando chamar o Dalton
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Ninguém vinha me contar
Vou-me embora pra Curitinopla
Em Curitinopla tem tudo
É outra civilização
Tem um progresso seguro
Tem palhaços no calçadão
Tem lombada eletrônica
Tem cristais à vontade
Tem curitibocas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver, assim...
Que nem tarja preta der jeito
Quando de noite pintar
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do Oil Man -
Terei a morte que eu quero
Na tumba que escolherei
Vou-me embora pra Curitinopla.
RAUL POUGH
(*) Adaptação curitiboca do poema "Vou-me embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira.