quarta-feira, 12 de setembro de 2012



Nós que temos o ballet dentro de nós, que vivemos e morremos por isso.
Nós que só contamos até 8.
Nós que entendemos a beleza e a dureza de simplesmente ficar parada em quinta posição.    
Nós que aprendemos a ter que pensar entre um giro e outro.
Nós que temos mais coordenação motora que qualquer homem fazendo baliza.
Nós que andamos por ai de coque e roupas coloridas e confortáveis depois da aula, sem nos importar.
Nós e apenas nós que sabemos o que é a dor e o amor de usar uma sapatilha de ponta!

(*) Texto: Malu Souza. Imagem: facebook. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012


“E às vezes no silêncio do meu dia, no momento mais conturbado da minha alma, paro pra pensar em quando tudo isso começou. Eu sei, todos nós desperdiçamos oportunidades, chances, pessoas, amores… Mas de alguma forma, quando eu te conheci, eu sabia que seria você. Talvez tenha demorado pra perceber, mas o fato foi que percebi e naquele momento eu tive a certeza de que não podia te perder. Eu temia que fosse amor. Mas, de repente me senti tomada por algo mais forte que eu e de alguma forma você teria que ser meu.”


TATI BERNARDI

“Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meu Deus?”


CAIO FERNANDO ABREU

sábado, 30 de junho de 2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

destino: explica isso!


depois do tsunami
recolhido em minha ostra
ouço alguém bater
      
abro, bem devagar...
a surpresa, uma pérola
— vim pra ficar, posso?
 
 
RAUL POUGH

terça-feira, 19 de junho de 2012

contigo aprendi


Contigo aprendi
Que existem novas
E melhores emoções...
Contigo aprendi
A conhecer um mundo novo
De ilusões
Aprendi...
Que a semana já tem mais
De sete dias
Fazer maiores as
Pequenas alegrias
A ser alegre
Eu contigo aprendi...

Contigo aprendi
A ver a luz do outro lado ao ver a lua
Contigo aprendi
Que tua presença eu não troco por nenhuma
Aprendi... que pode um beijo
Ser mais doce e mais profundo
Que posso ir-me qualquer dia deste mundo
As coisas boas, eu contigo já vivi
E contigo aprendi, que eu nasci
No dia em que te conheci...



ARMANDO MANZANERO

segunda-feira, 18 de junho de 2012

quem é ela?


quem é esta petulante?

que ousa me acordar assim
do sono reparador das dores
das cruéis sequelas, do fim
(trágico) dos grandes amores

quem é ela?

mal e mal me conhece,
desconhece minhas cicatrizes
ignora meus pecados,
nada sabe dos meus deslizes

quem é ela?

pra achar que algum coração
ainda bate dentro deste peito
que aqui tem alguma emoção
que os estragos ainda tem jeito

quem é ela?

pra pensar que borboletas
ainda possam vagar sozinhas
por este jardim abandonado
maltratado por ervas daninhas

quem é ela?

que magia, feitiço, imagina ter
no brilho quase verde do olhar
(atrevido), no quase deboche
do sorriso maroto, esta menina

quem é ela?

que mal olha pra uma equação
e de uma maneira tão simples
pensa ter encontrado a solução
eureka!, achado o "seu número"

quem é ela?

não, não sei, ainda não sei
mas penso em pagar pra ver...
desafios e guerras perdidas,
na minha vida, tem força de lei
  
 
RAUL POUGH

domingo, 17 de junho de 2012


Me perdoem.
Peço mais uma vez.
O perdão de vocês é fundamental,
porque não consigo perdoar a mim mesmo.
Me perdoem pelo pai que não fui,
pelas decepções que causei a vocês.
Algumas coisas a cegueira me impediu de fazer.
Outras, foi o meu egoísmo.
Outras, a falta de discernimento.
Sei que em tantos momentos vocês precisaram de mim
e eu não estava presente.
E não é fácil lembrar dessas coisas,
porque além disso fui um mau filho.
Decepcionei muito, muito mesmo o meu pai.
E ele não merecia.
Vivo pedindo perdão a ele,
porque também não consigo me perdoar.
O mais triste nesta história
é saber que não se pode voltar atrás
para consertar certas coisas.
Poderia dizer-lhes que,
apesar de tudo,
os amo muito!
Mas,
nesta hora, neste dia,
não me sinto digno nem pra falar de amor...
E hoje, por favor,
não me liguem, não me procurem.
Tirei o dia
pra um passeio por dentro de mim.

sábado, 16 de junho de 2012

alerta


será?

que este
velho e cansado coração
ainda suporta
  
o pisotear implacável
das sapatilhas,
meia ponta que sejam,
sadomasoquistas
quem sabe
    
forjadas na dor
pelo desejo indomável
de flertar, até entregar-se
de corpo e alma
a este príncipe atrevido
ao mesmo tempo
mocinho e bandido
 
filho da dança
afilhado da pantomima
e que atende
pelo fascinante nome
  
ballet (?)
     
pode crer: NÃO!
   
portanto,
venha leve, macia e doce
trate este coração
como se de algodão fosse           
  
apenas
dance conforme a música...
  
    
RAUL POUGH

quinta-feira, 7 de junho de 2012

23 anos da morte de Paulo Leminski



Neste 7 de Junho, 23 anos da morte do inesquecível Paulo Leminski.
Seu pó repousa sob o granito, no Cemitério da Água Verde, em Curitiba.
Seus escritos, inscritos em nossas memórias e corações!
Meu respeito e homenagem ao Polaco mais famoso dos Pinheirais...    

segunda-feira, 4 de junho de 2012

vou me embora pro passado


Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buck Jones
Rocky Lane, Doris Day
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willys, Maverick
Tem Gordini, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.

Lá dançarei Twist
Hully Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rin-Tin-Tin
Ou mesmo Jeanne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Ban-lon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di La
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambretta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachmere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavander Atkinson's
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização...
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lessie
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem biscuit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem miss botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Angela Maria
— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!...

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado

 
 
JESSIER QUIRINO

do livro "Prosa Morena"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

S/


                                     o meu corpo nu
                                     passeia pela casa
                                     e
                                     na parede da sala
                                     sangra
                                     a minha
                                     natureza morta.
 
 
                                     ANGELA GOMES

terça-feira, 29 de maio de 2012

...


[...] Foi então que eu descobri.
Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora,
pensando as mesmas coisas,
com preguiça de ir nos mesmos lugares furados
e ver gente boba,
com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez
e voltar pra casa vazio
ou continuar embaixo do edredom
lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.
A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa.
Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é,
menor a chance de você vê-la andando por aí? [...]

yasminbraz.blogspot.com.br

sábado, 26 de maio de 2012

estéril


                              quando o grito
                                             da saudade
                                             grita
                              e o gritaredo embrenha-se
                                             pelo interior
                              da artéria mais recôndita
                                             buscando esconderijo
                              no âmago de um coágulo
                                             esquecido,
                             
                              sufocar a agudez estridente
                                             dos clarins da ausência...
                              ah, nem assim!  
 
 
                              RAUL POUGH

quarta-feira, 23 de maio de 2012

de máscaras & machucados



se mascaro a dor
com um sorriso
que não sei de onde
me vem
é porque cedo
aprendi a lição:
nos tombos
que a vida me deu,
poucas vezes
tive rede de proteção
 
 
ADEMIR ANTONIO BACCA

do livro "Gritos por dentro das palavras"

domingo, 13 de maio de 2012

*



Se há um raro prazer esperando
no outro lado do muro.
Eu escalo.
E a pedra se cala, e com ela a hera o musgo
- todos me deixam passar -
... Serei a Senhora e a escrava do lado de lá.
Mas se o muro não é:
se é um cofre de aço tão liso
e se dentro
nem tem nada daquilo
nem disso,

um deserto.

Eu desisto.

Feras morrem de tanto esperar.
Feras morrem
do lado de cá.

Eu só existo.
 
 
FLÁ PEREZ

sexta-feira, 11 de maio de 2012

coisa de homem


Vinha sempre,
assim como o tempo de Curitiba:
de diversas formas.
Assim como o tempo de Curitiba:
difícil de entender.
 
Andar sedutor
de quem mostra calma, distância, encantamento...
Que nada revela.
Porque seduzir é o seu alimento.
 
Um convite para reviver um tempo
e ele diz: não, não vou.
Coisa de homem.

Hoje está nublado,
dentro deste homem inatingível.
Coisa de homem, já passa! Diz ele.
E vai...

Não é mais possível encontrá-lo.
Não é mais possível alcançá-lo.
 
É. O tempo tem muitas formas,
todas difíceis de entender.
 
Nunca mais o vi.
Deve ser coisa de homem...
 
 
JANE (22/12/2009)

sul real


tiroteio no bolicho
no meio do entrevero, uma bala
alojou-se no baleiro
 
 
RAUL POUGH

desenho de FERNANDO MAIA

1.


P. Kuayñchi

quinta-feira, 10 de maio de 2012

..


vento que é vento
não inventa
simplesmente venta
viver bem todo mundo quer
todo mundo tenta
feliz daquele que puder
olhar para trás
e rever as maravilhas
dos seus melhores momentos
em câmera lenta


ANTONIO TADEU WOJCIECHOWSKI

10 de maio


Mark Chapman,
o assassino de John Lennon,
nasceu num 10 de maio, como eu.

Fred Astaire,
o mais famoso dançarino americano,
nasceu num 10 de maio, como eu.

Ou me tiras pra dançar... ou te mato!
 
 
RAUL POUGH

...


Tenho sede de voz humana
Não desse zumbido patético
Nada me prende

Tenho fome de verbo
...
De tempo e de caos
Como Nau de cais

Parte de minha matéria viva não chora
Não sangra, não singra
Só tange

Impuseram a mim o dever de ter fé
De ter sede, de ter fome
Esqueceram que sou Homem

Desses desejos de ter felicidade
Transformei-me em farol
O tempo, meu faroleiro.
  
  
ADAN COSTA

sexta-feira, 4 de maio de 2012

aperto


No peito um aperto
de uma leve pedrada

é o efeito de uma carta de amor
e mais nada.

 
 
MARIA MELO

diariomariamelo.blogspot.com

"cidadão classe média"


"Cidadão Classe Média": você se omitiu e, um dia, a escola pública ficou ruim. Mas com um esforçozinho você colocou os filhos na escola particular. Você se omitiu e, um dia, a saúde pública ficou ruim. Mas com um esforçozinho você contratou um plano de saúde. Você se omitiu e, um dia, o transporte público ficou ruim. Mas com um esforçozinho você comprou um carro, depois outro. Você se omitiu e, um dia, a segurança pública ficou ruim. Mas com um esforçozinho você colocou grades e alarmes na casa e nos carros, foi morar em apartamentos, em condomínios fechados, contratou seguros e já está pensando num carro blindado. Você se omitiu e, um dia, a previdência pública ficou ruim. Mas, desesperado, com um esforçozinho você contratou uma previdência privada, na tentativa de fugir do pesadelo da velhice que não está longe. Você, "cidadão classe média", sempre pegou os problemas coletivos e os individualizou, dando a eles uma "solução particular". Você, "cidadão classe média", sempre "cagou e andou" para a floresta; você sempre se preocupou apenas com a "própria árvore". Você, "cidadão classe média", fez de cada grande problema coletivo uma batalha pessoal e nunca se importou com a guerra. Eu adoro quando você reclama, quando esperneia, quando chora, quando sofre! Acho que você, "cidadão classe média", tem mais é que se foder! E vê se pelo menos paga a mensalidade da escola, do plano de saúde, a prestação dos carros, o seguro e o ipva, a prestação do apartamento, o iptu, a taxa do condomínio, a mensalidade da previdência privada. Afinal, a gente sabe que você, "cidadão classe média", tem celular, ipod, mp3, dois cães de raça, etc, vai jantar fora, bebe vinho chileno (viva o pib do Chile!) e deixa na gaveta o boleto do condomínio e a fatura do cartão (vencidos, é claro!). Caso contrário, "cidadão classe média", você passará a ouvir, cada vez mais intensamente: ISTO NÃO LHE PERTENCE MAIS! E onde quer que eu esteja, estarei rindo muito (como rio com o programa da tevê) e pensando em você, "cidadão classe média", com todo o desprezo que você merece, pelo caráter egoísta da tua existência medíocre.
   
 
RAUL POUGH
    
(*) um texto de 2007.

gênios descontraídos...


  Steve Jobs / Bill Gates

quinta-feira, 3 de maio de 2012

curitiba


entre cachecóis e casacões
caminho pelo teu inverno
tro-pe-çan-do em pinhões
 
 
RAUL POUGH

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os Indomáveis



Excelente western de 2007, dirigido por James Mangold.
No cartaz não aparece o nome do ator Ben Foster, magnífico.
É um remake do filme de mesmo nome "3:10 To Yuma" (1957),
exibido no Brasil com o nome de "Galante e Sanguinário".

quinta-feira, 19 de abril de 2012

barbarola


Hoje suja
a vida ainda apetece
e um fio de luz imunda me tece
enlaça ao sol meus olhos fechados
vermelhos inchados
ainda boiando no pântano da noite.
O mundo visível. Um clarão terrível.
Já em fogo o dia me recebe
com um sopro indiferente.
Com sua horda bárbara de ruídos,
risos, rezas, rosnada realidade.
Penso em vencer a repugnância
e beijar fundo a sua boca aberta.
Penso em navegar pelas margens de sua luz
e outra vez vestir a malha do sono.
Penso em ti. Penso em mim.
Um fragmento de carne pulsante
em forma de coração
coberto de erva e treva.
Luz, alegria: agora tudo apenas
fosca memória tilintante.
Sem mais, comunico sem pesar
que o projeto Eudoro Augusto
não é viável neste momento.


 
EUDORO AUGUSTO

quarta-feira, 4 de abril de 2012

amor


Na véspera de ti
eu era pouca
               e sem
sintaxe
eu era um quase
          uma parte
sem outra
            um hiato
de mim.

No agora de ti
         aconteço
tecida em ponto
             cheio
um texto
com entrelinhas
         e recheio:

um precioso corpo
um bastante sim.

  
  
MARIA ESTHER MACIEL

caos


                                  Há um momento na vida
                                  de terror definitivo,
                                  de fracasso tremendo,
                                  de sangrar a ferida.
                                  Nada rende,
                                  não há remendo,
                                  nem consolo,
                                  nem saída;
                                  luta perdida.
                                  A lágrima não significa,
                                  o amor cruza os braços,
                                  a saudade diz que vai,
                                  e fica.   
     
    
                                  IVONE BOECHAT

sexta-feira, 30 de março de 2012

adeus em preto e branco


                              ultrapassei teus limites
                              renegaste os meus
                              nem por isso estamos quites
 
 
                              RAUL POUGH

quarta-feira, 28 de março de 2012

massa de ar quente


calor nos meus lábios,
não era o teu beijo...
era o vento do pastel
 
 
RAUL POUGH

assombros


Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.
 
 
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

terça-feira, 27 de março de 2012

presente


Quando nasce uma estrela
o coração nos diz
que as luzes virão, sempre

Quando nasce a saudade
a voz que fala é a do vazio que se instala
feito trilhos e dormentes à espera do trem

e na estação deserta
olhando estrelas que vêm e vão
está o homem, debruçado em sua solidão

não haverá trens
não haverá ninguém ou nada
apito, fumaça ou gentes

só o céu inatingível
se a saudade, feito estrela arrivista,
umedecer de brilhos sua vista

Saudade e estrela são sonhos cadentes
que deixam rastros parecidos
reluzentes e fugidios

só que uma se repete
enquanto a outra evanesce
A outra é a estrela ...

Quando nasce o Amor
dizemos ao coração
que a luz será perene

a luz que brilhará
nas trevas do caminho
e que trará o mundo às nossas mãos

mesmo que na saudade do que foi
na saudade do que é
na saudade do que será

na saudade ...

Em sua totalidade celeste
no espaço que veste a vontade
de nascer e morrer de paixão

o homem poderá estar sozinho
mas se houver uma única estrela
no éter, o poeta, não!
 
 
MAURO VERAS

sábado, 24 de março de 2012

chupetas punhetas guitarras


Choram meus filhos pela casa
fraldas colos fanfarras
Meus filhos choram querendo talvez meu peito
ou talvez o mesmo único leito que reservei pra mim
Assim aprendi a doar
com o pranto deles
Na marra aprendi a dar mundo a quem do mundo é
A quem ao mundo pertence e de quem sou mera babá
Um dia serei irremediavelmente defasada, demodê
Meus filhos berram meu nome função
querendo pão, ternura, verdade e ainda possibilidade de ilusão
Meus filhos cometem travessuras sábias
no tapa bumerangue da malcriação
Eu que por eles explodi buceta afora afeto adentro
ingiro sozinha o ouro excremento desta generosidade
Aprendo que não valho nada em mim
Que criar pessoa é criar futuro
não há portanto recompensa, indenização
mesquinhas voltas, efêmeros trocos.
Choram pela casa e eu ouço sem ouvidos
porque meus sentidos vivem agora sob a égide da alma
   
Chupetas punhetas guitarras
meus filhos babam conhecimentos da nova era
no chão de minha casa.
Essa deve ser minha felicidade.
Aprendo a dar meu eu, aquilo que não tem cópia
tampouco similar
E o tempo, esse cuidadoso alfaiate, não me conta nada
Assíduo guardador dos nossos melhores segredos
sabe o enredo da estória
Vai soprando tudo aos poucos e muito aos pouquinhos
Faz eu lembrar que meu pai também já foi pequenininho
Que só por ele ter podido ser meu ontem
Só por ele ter fodido com desesperado desejo minha mãe
um dia eu existi.
   
Choram meus filhos pela Nasa onde passeamos planetas e reveses
Eu escuto seus computadores, eu limpo suas fezes
faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles
assino um documento onde aceito de bom grado
lhes ter sido a mala o malote a estrela guia
Um dia eles amarão com a mesma grandeza que eu
uma pessoa que não pode ser eu
Serão seus filhos suas mulheres seus homens
Eu serei aquela que receberá sua escassa visita
Não serei a preferida.
   
Serei a quem se agradece displicente
pelo adianto, pela carona
de poderem ter sido humanidade.
Choram meus filhos pela casa
Eu sou a recessiva bússola
a cegonha a garça
com um único presente na mão:
Saber que o amor só é amor quando é troca
E a troca só tem graça quando é de graça.
 
 
ELISA LUCINDA

segunda-feira, 5 de março de 2012

ficar velho?


Ficar velho é
deixar enguiçar
o sonho, o propósito, a capacidade de criar.
Ficar velho é
deixar morrer o pensamento novo
que não para de gritar.
Ficar velho é
correr em sentido contrário
das belezas da vida,
sustentar doendo aquela antiga ferida.
Ficar velho é
entregar os pontos, desistir, calar.
Ficar velho é,
não querer enxergar oportunidades,
tapar o sol com a peneira,
ao invés de recriar o tempo,
seguir em frente,
lutar.

   
  
IVONE BOECHAT

domingo, 4 de março de 2012

renúncia


Renunciar. Todo o bem que a vida trouxe,
Toda a expressão do humano sofrimento
A gente esquece assim como se fosse
Um vôo de andorinha em céu nevoento.

       
Anoiteceu de súbito. Acabou-se
Tudo… A miragem do deslumbramento…
Se a vida que rolou no esquecimento
Era doce, a saudade inda é mais doce.
       
Sofre de ânimo forte, alma intranquila!
Resume na lembrança de um momento
Teu amor. Olha a noite: ele cintila.
     
Que o grande amor, quando a renúncia o invade,
Fica mais puro porque é pensamento,
Fica muito maior porque é saudade.
     
       
CARNEIRO DA CUNHA

sexta-feira, 2 de março de 2012

conteúdo: o xis da questão


prometi, sim, a
mala e respeitá-la
até que...
      
mas tudo o que ela tinha
pra oferecer em troca
cabia numa valise
       
des(nécessaire) dizer
que tudo acabou
por falta de (bag)agem
     
     
RAUL POUGH

domingo, 26 de fevereiro de 2012


Les Voyageurs



Obra do escultor francês BRUNO CATALANO. Esta, é mais uma da coleção "Les Voyageurs", que já percorreu vários lugares do mundo, mas normalmente pode ser vista na Galerie de Medicis, Place des Vosges, Paris.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

trilogia perigosa


Não faça promessas
quando você estiver feliz...

Não discuta
quando você estiver com raiva...

E não tome decisões
quando você estiver triste...
 

(De algum rincão da internet...)

loveaholic


amar
amar
amar
   
não necessariamente
nesta desordem
 
 
RAUL POUGH