quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


IRIENE BORGES: supergata, poeta, maravilhosa com um grafite na mão, produzindo traços de primeira...
Seus versos denunciam o que lhe vai na alma: mas deixam um aroma de chocolate no ar. Brindou-me com sua visita. Trouxe juntos o Mário Auvim e a Nayane (uma doçura... tive vontade de paquerar seus pés desnudos enfiados em sandálias de salto, mas com o Mário ao lado, fiquei na minha). Gente comportada: beberam suco e refri, elogiaram o amendoim. Iriene ficou de retornar amanhã, trazendo-me um pedaço de torta de maçã, em troca do meu "Síndrome de Hipotenusa" que escondeu-se autografado dentro da sua bolsa. Dotes quituteiros: a conferir. Valeu, gente! (Re)Apareçam!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Ignácio Dotto Neto. Conheci a fera numa oficina de haikais na BPP. É homem das Letras. Craque em vários idiomas. Em outros tempos, cavaleiro da távola redonda. A tarde/noite chuvosas desta segunda-feira estiveram perfeitas para leros e (in)confidências, regados a skóis e iracemas. Levou dois livros da minha estante e autografei pra ele o meu "Síndrome de Hipotenusa". De partida para um voo experimental, estará ausente de Curitiba até outubro. God bless you, my friend!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

by Tarantino


Sequelas


ela se foi;
foi-se o que era doce...

foi-se o sono
foi-se a paz
foi-se o futuro

restou
esta briga de foi-se
no escuro


RAUL POUGH


▪ ▪ ▪


já que foi, foi-se!
foice nela!

a última recaída
foi sequela
da decaída boda

que se foda!


LUIZ ROBERTO BODSTEIN

Ensaio sobre a cegueira II


em horta de cego
quem tem um (rep)olho
é rei


RAUL POUGH

.


O dano na idéia tornou-se dono dos atos
explodindo a cada salto, o horizonte da paz.

Para pacificar a alma, cortaram-lhe as asas,
antes voava contra o sol,
cego de liberdade e escravo dos instintos,
agora
tanto faz;
jaz.


WILSON NOGUEIRA

Encontrários


ele, impressionista
ela, meteorologista

mal se conheceram
pintou um clima


RAUL POUGH

Síndrome de Hipotenusa



Trata-se de um livreto de 20 páginas com 105 textos de cunho minimalista, editado no final de 2008.
A concepção gráfica também é assinada por este poeta. A quem se interessar, dirigir pedido para raulpough@gmail.com

sábado, 17 de janeiro de 2009

Descolor(ações)


Verso pouco as cores do arco-íris
Parei logo nos sorrisos amarelos
Não saberia ser menina cor-de-rosa
Naturais me eram versos brancos
brancas ardências dardejadas
em centelhas luminosas

mas súbito meu âmago adormecido
explodiu em tons de lava e cinza

E eu versejo
porque que já não viceja em mim
germina de novo no bojo da palavra

O véu brumoso de fuligem que enegrece
meu discernimento vítreo espelhado
é só a junção de todas as cores da paleta

Na tinta suja dos negrumes versados
subsistem minhas cores puras
em nuances desveladas à boa luz


IRIENE BORGES

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Auto-retrato


Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.


MANUEL BANDEIRA

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Black Power: Obama is the best!


Graciliano Ramos, por ele mesmo


Abaixo, o auto-retrato que fez aos 56 anos, na terceira pessoa:

"Nasceu em 1892, em Quebrangulo (paroxítono), Alagoas. Casado duas vezes, tem sete filhos. Altura, 1,75. Sapato n.º 41. Colarinho n.º 39. Prefere não andar. Não gosta de vizinhos. Detesta rádio, telefone e campainhas. Tem horror às pessoas que falam alto. Usa óculos. Meio calvo. Não tem preferência por nenhuma comida. Indiferente à música. Não gosta de frutas nem de doces. Sua leitura predileta: a Bíblia. Escreve Caetés com 34 anos de idade. Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados. Gosta de beber aguardente. É ateu. Indiferente à Academia. Odeia a burguesia. Adora crianças. Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antonio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz. Gosta de palavrões escritos e falados. Deseja a morte do capitalismo. Escreve seus livros pela manhã. Fuma cigarros Selma (três maços por dia). É inspetor de ensino, trabalha no Correio da Manhã. Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo. Só tem cinco ternos de roupa, estragados. Refaz seus romances várias vezes. Esteve preso duas vezes. É-lhe indiferente estar preso ou solto. Escreve à mão. Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio. Tem poucas dívidas. Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas. Espera morrer com 57 anos."

Capitão Lobo comandava o quartel em que Graciliano esteve preso no Recife, em 1936; Cubano foi um ladrão que ele conheceu na cadeia.

(*) Graciliano morreu em 1953, aos 61 anos de idade.

Procrastinação


2ª-feira : café com leite
3ª-feira : café preto
4ª-feira : leite puro
5ª-feira : nescau
6ª-feira : granola com leite
Sábado : esponja e detergente

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sobre o poemínimo

O poemínimo, gênero breve criado e assim batizado pelo poeta mexicano Efraín Huerta (1914-1982), destaca-se por seu lampejo, sua configuração espacial, seu humor e criatividade. Sobre esta expressão o próprio Huerta escreveu:
"Creo que cada poema es un mundo. Un mundo y aparte. Un territorio cercado, al que no deben penetrar totalmente indocumentados: los huecos, los desapasionados, los censores, los líricamente desmadrados. Un poemínimo es un mundo, sí, pero a veces advierto que he descubierto una galaxia y que los años luz no cuentan sino como referencia, muy vaga referencia, porque el poemínimo está a la vuelta de la esquina o en la siguiente parada del Metro. Un poemínimo es una mariposa loca, capturada a tiempo y a tiempo sometida al rigor de la camisa de fuerza. Y no lo toques ya más, que así es la cosa, la cosa loca, lo imprevisible, lo que te cae encima o tan sólo te roza la estrecha entendedera -y ya se te hizo-".

Ay poeta


primero
que nada
me complace
enormísimamente
ser
un buen
poeta
de segunda
del
tercer
mundo


EFRAÍN HUERTA

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mijactância


Sacudiu uma, duas, três, várias vezes. O líquido turvo ainda escorria pela parede branca do mijador quando encostou o pedaço de papel higiênico, simetricamente dobrado em quatro, na glande, como que a beijar os lábios da uretra. Quase sempre funcionava e colocava a cueca a salvo dos últimos e indesejáveis pingos da urina amarelada pelos remédios. Com olhar disfarçado percebeu que o sujeito à sua esquerda tentava timidamente esconder o pênis miúdo. Esboçou um sorriso de superioridade, enquanto o zíper subia arranhando os trilhos. Contente, atirou o papel no cesto e se foi.


RAUL POUGH

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Psi(u)cóloga


sim, eu sei...

mas é pra isso
que eu te pago
50 pilas por sessão?

pra me dizeres
que pelo andar do andor
nunca farei parte da

antologia dos egos da província?


RAUL POUGH