status quotidianus, desvairamentos específicos, alucinações genéricas, poesia textual, imagética, minimalismo, alka-seltzer y otras cositas más...
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
tem pão velho?
Vou contar um fato corriqueiro que, inesperadamente, me trouxe uma grande lição de vida.
Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim da minha casa, quando fui interpelada por um garotinho com pouco mais de 9 anos, dizendo:
- Dona, tem pão velho?
Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou desde criança.
Olhei para aquele menino tão nostálgico e perguntei:
- Onde você mora?
- Depois do zoológico.
- Bem longe, hein?
- É... mas eu tenho que pedir as coisas para comer.
- Você está na escola?
- Não. Minha mãe não pode comprar material.
- Seu pai mora com vocês?
- Ele sumiu.
E o papo prosseguiu, até que disse:
- Vou buscar o pão. Serve pão novo?
- Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente.
Esta resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança, daquele menino de apenas 9 anos, já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitado de um papo, de uma conversa amiga.
Caros amigos, quantas lições podemos tirar desta resposta:
"Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente!"
Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor!
Alguns anos já se passaram e continuam pedindo "pão velho" na minha casa...
e eu dando "pão novo", mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas, o pão dos gestos que acolhem e promovem.
Este pão de amor não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse:
"Eu sou o pão da vida!"
Verifique quantas pessoas talvez estejam esperando uma só palavra sua.
Tem pão velho?
http://www.mensagemespirita.com.br
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
arte de furtar
O poeta declarou que toda criação é tributária de outras
criações no permanente processo de linguagem da poesia
O poeta afirmou que todo criador é tributário de outros no
processo de linguagem da poesia
O poeta se confessou um criador tributário de outros na
linguagem de sua poesia
O poeta não esconde que sua poesia é tributária da linguagem
de outros criadores
O poeta não esconde que sua poesia é influenciada pela
linguagem de outros criadores
O poeta não faz segredo de que se utiliza da linguagem de
outros poetas
O poeta fala abertamente que se apropria da linguagem de
outros poetas
O poeta é um deslavado apropriador de linguagens
O POETA É UM PLAGIÁRIO
AFFONSO ÁVILA
De O discurso da difamação do poeta.
De O discurso da difamação do poeta.
São Paulo: Summus Editorial, 1978]
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
Mínimo, menino
Quando a vida nos faz pequenos
as ruas se fazem de gambarra
O céu distancia suas luzes
e soam todos os alarmes
avisando que o gigante se aproxima
espanando seus pés e suas garras
Quando a vida nos faz pequenos
o medo em tudo se conforma
O mar entorna suas águas dentro e fora
e a lágrima que jorra dos olhos
vale menos que a conchinha
quebrada em seu direito de estar
o corpo se fragiliza
a alma pitonisa prevê o aborto dos sonhos
e que tudo acaba
Quando a vida nos faz pequenos
a chuva canta sua mágoa melancólica
em cristais fininhos de angústia
que cintilam no espaço como fossem esperança,
este vaga-lume inatingível,
ao alcance aparente das mãos
o chão fica impossível
o ar fica impossível
ser é impossível
assim como o fiapo do feno
que baila ao vento sem destino
os homens viram meninos
quando a vida os faz pequenos
MAURO VERAS
...
Estou com sede de mudanças,
mas não quero arrastar os móveis,
nem desentortar os quadros.
Quero desabitar meus hábitos.
MARLA DE QUEIROZ
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
se estiver quente...
terá o leite derramado
a propriedade de cicatrizar
as fendas que ficaram
entre o quase e o já era?
RAUL POUGH
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
domingo, 18 de dezembro de 2011
ao meu pai...
Nos deixaste aos 56. Eu tinha apenas 24 e ainda não tinha aprendido o que precisava saber a teu respeito, a meu respeito, a respeito de nós dois. Minhas emoções são covardes demais para falar da tua partida, dos 36 anos da tua ausência. Mas nos veremos, um dia, e eu terei oportunidade de resgatar o que ficou pendente entre nós. TE AMO!
Os dez Mandamentos da Serenidade
1. Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver o problema da minha vida, todo de uma vez;
2. Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar os outros: delicado nas minhas maneiras; não criticar ninguém, não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém senão a mim;
3. Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste;
4. Só por hoje me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem todas aos meus desejos;
5. Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que assim como é preciso comer para sustentar meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida da minha alma;
6. Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém;
7. Só por hoje farei uma coisa de que não gosto e se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba;
8. Só por hoje farei um programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo o caso, vou fazê-lo. E me guardarei bem de duas calamidades: a pressa e a indecisão;
9. Só por hoje ficarei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim, mesmo se existisse só eu no mundo – ainda que as circunstâncias manifestem o contrário;
10. Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de gozar do que é belo e não terei medo de crer na bondade.
Papa JOÃO XXIII
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
não se mate
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
projeto de prefácio
Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe.
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe.
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
MÁRIO QUINTANA
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
sei decor
o mistério azul do meu céu...
o segredo vermelho do meu inferno...
amarelei!
amarelei!
DEA VILLANELLA
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
cinema mudo
terão sido nossos sonhos
tão reticentes... assim
pra acabarem em pontos sem nós?
RAUL POUGH
sábado, 26 de novembro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
...
O amor é isso:
- Não prende;
- Não aperta;- Não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser laço…
MÁRIO QUINTANA
sábado, 15 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
matou a família e foi dormir
Reveillon no paraíso.
Caim mata Abel
Abel mata Caim
Adão mata Eva
Eva põe-lhe fim.
Pronto.
Teriam evitado
muita chateação.
ANGÉLICA TORRES
domingo, 9 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
(in)falsa modéstia
Deus é gaúcho,
o sol é um fogo de chão que se alastrou,
o Atlântico é salgado porque a indiada daqui batia os espetos perto dos rios,
o Sahara é um deserto porque foi das árvores de lá que vieram os espetos,
a maior churrascada que se fez, resultou na extinção dos dinossauros,
a 2ª Guerra se deu por causa que o Turco Salim de Bagé queria tomar conta dos bolichos em Uruguaiana,
o Rio Grande amado é o único Estado que faz divisa com 3 países: Uruguai, Argentina e Brasil!
esses terremotos que andam ocorrendo por aí são decorrência de uns concursos de xula na fronteira...
e por aí se vai essa porção de terras ao redor do Rio Grande, chamada MUNDO!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
pássaros matinais
Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.
Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboiojunto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.
Não há vazios por aqui.
Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressae conta como foi caluniado
até na Direcção.
Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralhanegra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:
Não há vazios por aqui.
É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendoCresce, ocupa o meu lugar.
Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.O poema está pronto.
TOMAS TRANSTRÖMER
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
foz, 40 graus
Pelos meus 6, 7 anos morei em Foz do Iguaçu. Casa de madeira, alugada, entre a Capitania e a Av Brasil, onde eu ia sob 40 graus, guarda-chuva para proteger os miolos, mas os pés descalços - sapatos, só pra ir ao colégio das freiras - marcados pela quentura ura ura da terra, comprar uma ou outra coisa pra minha mãe, que segurava a onda sozinha. Meu pai, riscando de tratores o chão paraguaio, sempre distante. Lá, escolhi o primeiro presente que dei a mim mesmo: uma pequenina Rural Willys de plástico (com um dinheirinho inocentemente subtraído da gaveta do criado-mudo - e cego, graças a Deus - da mãe). Lá, meu primeiro gibi, Rocky Lane, personagem de far west (naquele tempo, a pronúncia era farrvéste). A primeira Copa do Mundo, quando escutei pela primeira vez falarem de um tal Vavá. O primeiro helicóptero de verdade pousando num campinho de futebol; acho que era o Governador. Ah... e lá, conheci a Irene, eu aos 7, ela aos 12, minha primeira e inesquecível experiência de contato com uma MULHER. Nada de mãe, irmã, primas, tias, professoras... uma MULHER de verdade, daquelas que faz descobrir-te HOMEM (*). Quem sabe, um dia, eu explore isto melhor. Por enquanto, fico apenas neste comentário, postado no "blog às moscas", do Rodrigo Madeira, lembranças de uma saudosa Foz, pago sagrado do menino-poeta personagem da velha "kodak instamatic 101". Abração...
(*) Ela apenas deixava enganchar-me no seu braço, a caminho da escola! Bom esclarecer, né? Até Casanova foi menino.
(*) Ela apenas deixava enganchar-me no seu braço, a caminho da escola! Bom esclarecer, né? Até Casanova foi menino.
notícias de foz do iguaçu
kodak instamatic 101
então você é este
criança aos 7
sob aquele céu, azul
com glaucoma,
o sol em carne-viva,
foz do iguaçu?
quantos anos você
tem?– eu tenho
a eternidade!
nunca mais e sempre.
quem?
que céu?memória avulsa,
sem consequência,sem vir ou ir
a qualquer parte.
bala alojada,
relâmpago,pássaro do pasmo,
tronco arrastado,
ou ossos ou cisne,
no curso mineral
do esquecimento
e da invenção.
RODRIGO MADEIRA
RODRIGO MADEIRA
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
a voz do silêncio
Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.
MARTHA MEDEIROS
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Oração ao meu pai
Vaguei pela casa à procura de ti
Lâminas no ar cortavam a alma
Olhava nos móveis, nas coisas
e a tua presença parecia estar em tudo
mesmo naquilo em que nunca tocaste
Hoje, o teu lugar é a minha dor
e estás tão impregnado nela
que quero, para ter-te, chorar eternamente
Não sei se as plantas sofrem, se as pedras choram
se naquele sofá onde riste e brigaste
tuas febres de homem apaixonado
eu ainda te encontrarei nalgum dia
mas em mim as lágrimas todas jorram
minhas plantas, minhas pedras, minha saudade
Fechei nos olhos a magenta
de chorar por tua ausência
e percebi que tu não estás, de fato, nas coisas tangíveis
a casa, o carro, as roupas
e tudo que se pode comprar e tocar com a vaidade de ter
em nada, em nada disso tu estarás
por seres maior, por seres menor
por seres por dentro e pra sempre
Ao fechar os olhos
ao rever tua mão, teu rosto sempre iluminado
de perseverança, de esperança
por mais que a vida as confrontasse
revi tua enorme luz, na Estrela sobre a tua cabeça
“Reze por mim”, disseste-me com a voz já miúda ...
mas enquanto eu tentava feito louco
resgatar tua alma que deixava teu corpo em meus braços aflitos
era tu que rezavas por mim, por nós, em silêncio
a mais bela e densa oração
aquela que se espraia sem proferir palavras
e que faz do encontro de nossas almas
a lavra mais desejada
E agora que o mundo ficou tão pequeno sob meus pés
e a vida tão maior sobre a minha cabeça
ainda será em ti que eu buscarei
o apoio que tanto preciso e espero
Em ti, que nunca partiste
e que nunca chegaste
porque, em mim, tu és eterno!
MAURO VERAS
Divido com vocês, não a dor desmedida deste momento, mas a alegria de ter tido meu pai em minha vida, com sua enorme coragem, determinação e respeito pelas pessoas e seus sentimentos. Não sei se sou um bom homem, ou se um dia chegarei a sê-lo; entretanto, tudo que sou devo a ele, Amaury Ferreira, meu pai. E como diz Álvaro de Campos, no poema "Apontamento", agora, para meu pai, se "alastra a grande escadaria atapetada de estrelas", e que seja assim!
Mauro é um poeta maravilhoso, um baita ser humano, e vive me brindando com postagens no meu orkut. Agradeço, mais uma vez, e reproduzo aqui seu post mais recente. (Raul)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Hino da Independência do Brasil - aspectos históricos
Ao ser composto, o Hino da Independência do Brasil não tinha este nome. Nem sua música era a mesma que hoje é cantada nas comemorações da semana da pátria. O hino que homenageia nossa separação de Portugal tem uma história interessante, que vale a pena ser conhecida.
Quem o compôs foi o fluminense Evaristo Ferreira da Veiga e Barros (1799-1837), que era livreiro, jornalista, político e poeta. Com a fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, Evaristo da Veiga tornou-se o patrono da sua cadeira de número 10.
A maior parte da composição que se inicia com os versos "Já podeis da pátria filhos" é anterior ao Grito do Ipiranga e data de agosto de 1822. Favorável à independência, Evaristo da Veiga escreveu o poema que intitulou "Hino Constitucional Brasiliense" e o fez publicar.
O poema agradou o público da Corte, o Rio de Janeiro, e foi musicado pelo então famoso maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830), que havia sido professor de música do jovem príncipe Dom Pedro - imperador Pedro I, após a proclamação da Independência.
Sendo um amante das artes musicais, Dom Pedro I, em 1824, afeiçoou-se pelos versos de Evaristo da Veiga e resolveu compor ele mesmo uma música para o poema, criando assim aquele que se tornaria o Hino da Independência. Não se sabe ao certo a data em que foi composta, mas a melodia de Dom Pedro I passou a substituir a de Marcos Portugal, oficialmente, em 1824.
A participação do imperador foi tão valorizada que, durante quase uma década, não só a autoria da música, mas também a da letra lhe foi atribuída. Evaristo da Veiga precisou reivindicar os seus direitos, comprovando ser o autor dos versos, em 1833. Seus originais se encontram hoje na seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Com a abdicação de Dom Pedro I, a Regência, o Segundo Reinado e - principalmente - a proclamação da República, o Hino da Independência foi sendo gradativamente deixado de lado. Somente em 1922, quando do centenário da Independência, ele voltou a ser executado. No entanto, na ocasião, a música de Dom Pedro I foi posta de lado, sendo substituída pela melodia do maestro Marcos Portugal.
Foi durante a Era Vargas (1930-1945), que Gustavo Capanema, então ministro da Educação e da Saúde, nomeou uma comissão para estabelecer definitivamente os hinos brasileiros de acordo com seus originais. Essa comissão, integrada entre outros pelo maestro Heitor Villa-Lobos, houve por bem restabelecer como melodia oficial aquela composta por Dom Pedro I.
fonte: educacao.uol.com.br
terça-feira, 6 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
AUGUSTO DOS ANJOS
Este poema foi incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 61.
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
reflexões de uma manhã de agosto
acordei
meio tonto meio zorro
louco pra ziguezaguear
a lâmina espadeira
por testas infestas
bandidas franzidas
da humanidade vil
levantei
meio charles bronsoncom cinco desejos de matar
paladar paladino
pensei num pingadopão com manteiga na chapa
me enrolei
num cachecolna cabeça o gorro
padaria hoje em dia
vende doril e jornalpassagens pra lua-de-mel
até carne de sol
a espera me permite
folhear o conteúdo hediondo do diário minas: polícia encontra carro de suspeito
de matar e esquartejar três irmãs em uberaba porto alegre: mesa-diretora da câmara
aprova salário de R$ 14.837 para vereadores rússia: homem é preso após matar vítima
e usar sua carne para fazer croquetes curitiba: salário dos professores da rede estadual
poderá ser reajustado em 5,83% sampa: após briga de torcidas, corpo de corinthiano
é encontrado morto no rio tietê brasil: médicos marcam paralisação nacional
em protesto contra planos de saúde rio: governo culpa condutor morto por acidente no bonde
(ele tinha apenas trinta e cinco anos de experiência) brasília: plenário da câmara livra deputada
de cassação do mandato por falta de decoro na página dois
a charge do dia mostrao capitão américa
descolando uma esmola
na esquina da wall street
com a general lee
quem me dera um dia de fúria...
michael douglas era feliz e sabiatanto que não perdeu a ternura
na volta pra casa
uma imagem patética...o sargento garcia
na fila do sus (vida dura)
acompanhado do neto
vestindo boné do homem-aranha
ensimesmado
nas trevas do constrangimentopenso em voz alta:
já não se fazem
baader nem meinhof
como antigamente
zapata, eu? comandante marco?
lampião? maria bonita, quem sabe?
qual nada!
chego em casacom o rabo pusilânime entre as pernas
começo a rabiscar um poema
enquanto sonho
o sonho de um dia vir a ser
o exterminador do futuro
RAUL POUGH
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
primeira foto de hitler
E quem é essa gracinha de tip-top?
É o Adolfinho, filho do casal Hitler!
Será que vai se tornar um doutor em direito?
Ou um tenor da ópera de Viena?
De quem é essa mãozinha, essa orelhinha, esse olhinho, esse narizinho?
De quem essa barriguinha cheia de leite, ainda não sabemos:
de um tipógrafo, padre, médico, mercador?
Quais caminhos percorrerão estas pernocas, quais?
Irão para o jardinzinho, a escola, o escritório, o casório
com a filha do burgomestre?
Anjinho, pimpolho, docinho de coco, raiozinho de sol,
quando chegou ao mundo um ano atrás,
não faltaram sinais na terra nem no céu:
gerânios na janela, um sol primaveril,
a música de um realejo no portão,
votos de bom augúrio envoltos em papel crepom rosa.
Pouco antes do parto, o sonho profético da mãe:
sonhar com uma pomba - sinal de boas novas,
se for pega - vem uma visita muito esperada.
Toc, toc, quem é, é o coraçãozinho do Adolfinho que bate.
Fralda, babador, chupeta, chocalho,
O menino, com a graça de Deus e bate na madeira, é sadio.
parecido com os pais, com um gatinho na cestinha,
com os bebês de todos os outros álbuns de família.
Não, não vai chorar agora,
o fotógrafo atrás do pano preto vai fazer um clique.
Ateliê Klinger, Grabenstrasse Braunau.
E Braunau é uma cidade pequena, mas respeitada,
firmas sólidas, vizinhos honestos,
cheiro de massa de pão e de sabão cinzento.
Não se ouve o ladrar dos cães nem os passos do destino.
Um professor de história afrouxa o colarinho
e boceja sobre os cadernos.
WISLAWA SZYMBORSKA
(Kórnik, Polônia, 1923)
Tradução: Regina Przybycien
Contribuição: Rodrigo Madeira
sábado, 27 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
ponto / contraponto
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
PAULO LEMINSKI
. . . . .
acordei sustenido
tudo estava bemol
não fazia sentido
nem sol
RAUL POUGH
67 anos de LEMINSKI
PAULO LEMINSKI
A 26 de Agosto de 1944, nascia em Curitiba - PR, o professor, escritor, poeta, ensaísta, letrista, compositor, tradutor e faixa-preta de judô.
Morreu precocemente aos 44 anos, deixou um legado formidável e transformou-se em mito, uma lenda viva!
2 poemas de LEMINSKI
1.
lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça
2.
já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
PAULO LEMINSKI
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Pai, começa o começo!
Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: "Pai, começa o começo!". O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas "tangerinas" são outras. Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis.
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus: "Pai, começa o começo!". Ele não só "começará o começo", mas resolverá toda a situação para você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: "Pai, começa o começo!".
(autoria desconhecida)
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