status quotidianus, desvairamentos específicos, alucinações genéricas, poesia textual, imagética, minimalismo, alka-seltzer y otras cositas más...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Reveillon
Esta noite o meu hino
é um tango argentino
e a cor do meu céu
é um blues de motel
e todos os negros da cidade
choram, cantam e tocam piano
para o começo do meu ano.
Riem todas as meninas
lascívia escorre pelas cortinas
chocolates, damascos e homens disponíveis
me provocam, me chamam e me encontram
numa fresta, num vão obscuro
entre a nouvelle vague e o
muro.
GRETA BENITEZ
in: "Café Expresso Blackbird" (2006)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
a musa do calçadão
band-aids
de última hora
beijavam os calcanhares
desabraçados das tiras
das sandálias
que em perfeito desequilíbrio
pedestalizavam
aquelas pernas morenas
meus olhos
vigiaram aqueles passos
de sorvete, ao rum
até uma esquina qualquer
onde alguém lhe esperava
com o olhar perdido
numa poça de ciúme
pudera!
ah... quem me dera!
RAUL POUGH
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Lobo bom
Assoprou, assoprou
bem perto da nuca,
e deixou tudo de pernas pro ar.
FLÁVIA PEREZ
calabocablabla.blogspot.com
sábado, 26 de dezembro de 2009
Temporão
Num beijo que nem chegou a ser de amor
é onde estou agora
Era terra infértil de novo
e eu ali me semeando
Não sei que problema há nos meus olhos
e nos meus sentidos
Era superficial e fogo
e eu ali me semeando
Trovões e relâmpagos
alertavam da chuva
que não veio
Por que se injetou na dança, nos planos, nas ancas
se não era para durar?
Tudo o que é demais não cabe
e em silêncio recolhi as minhas sobras
Morri semente sonhando com podas
BARBARA LEITE
bardoescritor.blogspot.com
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Rebento de contradições
Não, não se apaixone
Eu tenho verdades guardadas
Nas encostas da Rodovia Washington Luiz,
Não, não me ame,
Eu riscaria seu corpo a giz,
Não me queira, eu trago
Vontades escondidas
Nos saltos dos sapatos,
E nos quadris,
Não, não me peça
O que não pode ser,
Não, não me obrigue a ter que dizer
Que não consegui,
Debati-me, joguei-me contra a parede
Fiz jejum, fiquei com sede, fingi.
Confesso, fiz igual o “poeta,”
Imitei a meretriz, desejei ser analfabeta
E nunca ter lido os seus “diários de motocicleta”.
MARIA JÚLIA PONTES
ciadapoesia.blogspot.com
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
15.
Procura-se uma musa que goste
de brigadeiros. que quando me olhe, olhe um
olhar de pétalas imediatas. procura-se uma
musa que me lembre luas na noite nublada.
que goste de dormir com chuva. prefira a
sombra de uma dúvida ao escuro de qualquer
certeza. procura-se uma musa que tenha
lábios de halls cereja. que goste de acordar
tarde. que quando sonhe, sonhe sonhos de
valsa, tango ou bolero. procura-se uma
musa que enfim queira o que eu quero. que
quando dance, distraída, faça de minha vida
um filme, aonde o amor cada cena que a
gente aguarda e não espera. procura-se uma
musa que tenha pressa de primavera.
tratar com fernando koproski.
FERNANDO KOPROSKI
in: "tudo que não sei sobre o amor" (2003)
domingo, 20 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
86.
um poema
que não se entende
é digno de nota
a dignidade suprema
de um navio
perdendo a rota
PAULO LEMINSKI
in: "Nothing The Sun Could Not Explain" (1997)
que não se entende
é digno de nota
a dignidade suprema
de um navio
perdendo a rota
PAULO LEMINSKI
in: "Nothing The Sun Could Not Explain" (1997)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
65.
Sua tristeza
não estava no olhar
a esmo,
nem no exílio do sorriso,
ou na voz que atravessava
a rua,
tampouco na palma
da mão que estendia.
Estava
no chão.
Era uma menina
de pés tristes.
SANDRA FALCONE
in: "Notícias de Mim" (2000)
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
pág. 85
A DISCIPLINA É DOS MORTOS.
Vivo desorganizando.
Para que transcender?
O divino em nós tarda em se humanizar.
CARPINEJAR
in: "Biografia de uma Árvore" (2002)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Epopéia
o poeta mostra o pinto para a namorada
e proclama: eis o reino animal!
pupilas fascinadas fazem jejum
CACASO
De NOITE
"no hay ternura comparable
a la de acariciar algo que duerme"
O. Girondo
. . . . . . . . . . . .
o vento
e outras árvores
raspam as costas da casa -
a madeira apara
toques
sem o exato do machado.
JOÃO BANDEIRA
in: "Rente" (1997)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
ceia em cena
papai noel, cá entre nós
esta picanha maturada de rena
combina com panetone?
RAUL POUGH
Slogan do dia
Não servimos almoço.
Levamos o dia inteiro para preparar o seu jantar.
(D'Amico Cucina)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ending
nada que
um antiácido
e uma renúncia
não pudessem resolver...
problemas simples
soluções simples
RAUL POUGH
Solidão...
Só
Solidão...
Não tem dia,
não tem hora...
Não tem dó
nem explicação.
O tempo vai passando
vagaroso...
Os olhos perdidos no vazio.
Um ser desprendido do olhar.
Insônia,
frustração...
Uma festa,
uma fuga...
Um romance,
um engano...
Consumo fútil.
Ilusão...
Um rio, uma ponte
de um lado bela paisagem,
de outro, realidade.
Uma estrada, um túnel.
Uma vida única,
para tantas escolhas...
DEISI PERIN
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
viajando en la mayonesa
de ella no se nada más
solo que le gusta simply red
y agua mineral con gas
RAUL POUGH
pg. 105
Brinque com um drinque
Faça uma farsa
Siga a seta
E diga a resposta certa
Se ligue no signo
E indague o indigno
Questione o inflamável
E cuidado com o simplesmente inflável
Faça do mistério uma coisa assim, decifrável
E, enfim, não se leve tão a sério.
Faça do incerto uma coisa assim
Mais pro inacabado
E não se sinta o falsário desta história.
Em todo caso, cale-se
Case-se com esse caso insólito
Esqueça
E não me obedeça.
GRETA BENITEZ
in: "Café Expresso Blackbird" (2006)
dialétrica
em tese
apesar das antíteses
há uma vaga hipótese, amor
de sermos síntese.
sente?
MERCEDES LORENZO
domingo, 6 de dezembro de 2009
Tratado de proximidade
Suas metades
- ímpares -
são sintomas de um tratado
sobre o qual, é crucial que se aponte:
I - Você toma posse dos meus dois hemisférios.
Senão os meus polos, num aquecimento eterno
ainda hão de desaguar em seus horizontes.
JESSIELY SOARES
falopios.blogspot.com
Inspirados em John Donne
e agora, john?
homem nenhum é uma ilha...
e esta porção de mim
cercada de mágoa
por todos os lados?
RAUL POUGH
in: "Síndrome de Hipotenusa" (2008)
· · ·
Ninguém é mesmo uma ilha
se até Billie Holiday
vem me visitar
pelo radinho de pilha
GRETA BENITEZ
in: "Café Expresso Blackbird" (2006)
sábado, 5 de dezembro de 2009
pausa mortis
de um lado
este meu infalível dom para
entornar caldos
de outro
esta tua falta de talento para
juntar cacos
tinha tudo pra acabar mal
acabou mal
... (tempo ao tempo)
RAUL POUGH
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
têmpera de aço ou passaDOR
Com o fio do ferro de passar
minha mãe me batia,
sem clemência.
Não sei como nunca queimou
minha resistência.
LEILA MÍCCOLIS
in: "Mercado de Escravas" (1984)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
ensaio sobre a desilusão
ontem
a lua não apareceu
hoje
não apareceu o sol
bem feito!
quem te mandou
flertar com aquela estrela?
elas são todas iguais,
esqueceste?
te atraem para
- traiçoeiro fascínio -
buracos negros
e te fazem percorrer
dores-luz
até o portal do infinito
onde te espera
- apagada -
uma vela de pavio curto
RAUL POUGH
pg. 94
só merece a musa
o poeta que ousa
querer ver uma deusa
por dentro da blusa
BEATRIZ AZEVEDO
in: "Peripatético" (1996)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Curitinopla
para:
manuel bandeira
nelson rebello (oil man)
rodrigo madeira
dalton trevisan
Vou-me embora pra Curitinopla
Lá sou amigo do Oil Man
Lá vive a morena que eu quero
Na cidade onde sou refém
Vou-me embora pra Curitinopla
Vou-me embora pra Curitinopla
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo incongruente
Que um poeta louco da Saldanha
Que versa principescamente
Vem a ser preteritamente
O agora que nunca tive
E farei footing no Barigui
Andarei de bicicleta
Montarei em bi-articulado
Subirei na torre da Telepar
Tomarei banhos de chafariz!
E quando estiver cansado
Deito à beira da ciclovia
Mando chamar o Dalton
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Ninguém vinha me contar
Vou-me embora pra Curitinopla
Em Curitinopla tem tudo
É outra civilização
Tem um progresso seguro
Tem palhaços no calçadão
Tem lombada eletrônica
Tem cristais à vontade
Tem curitibocas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver, assim...
Que nem tarja preta der jeito
Quando de noite pintar
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do Oil Man -
Terei a morte que eu quero
Na tumba que escolherei
Vou-me embora pra Curitinopla.
RAUL POUGH
(*) Adaptação curitiboca do poema "Vou-me embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira.
manuel bandeira
nelson rebello (oil man)
rodrigo madeira
dalton trevisan
Vou-me embora pra Curitinopla
Lá sou amigo do Oil Man
Lá vive a morena que eu quero
Na cidade onde sou refém
Vou-me embora pra Curitinopla
Vou-me embora pra Curitinopla
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo incongruente
Que um poeta louco da Saldanha
Que versa principescamente
Vem a ser preteritamente
O agora que nunca tive
E farei footing no Barigui
Andarei de bicicleta
Montarei em bi-articulado
Subirei na torre da Telepar
Tomarei banhos de chafariz!
E quando estiver cansado
Deito à beira da ciclovia
Mando chamar o Dalton
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Ninguém vinha me contar
Vou-me embora pra Curitinopla
Em Curitinopla tem tudo
É outra civilização
Tem um progresso seguro
Tem palhaços no calçadão
Tem lombada eletrônica
Tem cristais à vontade
Tem curitibocas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver, assim...
Que nem tarja preta der jeito
Quando de noite pintar
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do Oil Man -
Terei a morte que eu quero
Na tumba que escolherei
Vou-me embora pra Curitinopla.
RAUL POUGH
(*) Adaptação curitiboca do poema "Vou-me embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira.
I nação
a Raul Pough
Gente, no meio de extremos
ao sol do meio-dia
entre a vida que havia
e a morte que ardia!
Ávida, a avenida ia
incólume, entre os carros
que iam, entre o asfalto
que ria da agonia
e ia com toda a rapidez
atrás das riquezas
Entre o dia e a noite,
entre a flor e o açoite,
entre a dor e o que fosse
dor, gente, no meio ...
Gente dormente, feto refeito
sem o hálito quente
do beijo
do seio materno
do desejo fraterno
de tirar a mente do feio
e repousar no belo
Gente, nas garras da metrópole
presa em octópodes ligas de metal leve
presa às ações caóticas do caos que ferve
e seu encéfalo diabólico
gente ...
e quando percebemos
a miséria que se impõe
pouco notamos que há
gente, no meio de extremos
MAURO VERAS
Por conta de um comentário que fiz sobre seu poema GUETO, abaixo reproduzido, meu amigo e poeta Mauro Veras brindou-me com este outro poema, que nasceu justamente das palavras do tal comentário. Valeu, irmão!
Gente, no meio de extremos
ao sol do meio-dia
entre a vida que havia
e a morte que ardia!
Ávida, a avenida ia
incólume, entre os carros
que iam, entre o asfalto
que ria da agonia
e ia com toda a rapidez
atrás das riquezas
Entre o dia e a noite,
entre a flor e o açoite,
entre a dor e o que fosse
dor, gente, no meio ...
Gente dormente, feto refeito
sem o hálito quente
do beijo
do seio materno
do desejo fraterno
de tirar a mente do feio
e repousar no belo
Gente, nas garras da metrópole
presa em octópodes ligas de metal leve
presa às ações caóticas do caos que ferve
e seu encéfalo diabólico
gente ...
e quando percebemos
a miséria que se impõe
pouco notamos que há
gente, no meio de extremos
MAURO VERAS
Por conta de um comentário que fiz sobre seu poema GUETO, abaixo reproduzido, meu amigo e poeta Mauro Veras brindou-me com este outro poema, que nasceu justamente das palavras do tal comentário. Valeu, irmão!
sábado, 28 de novembro de 2009
Gueto
Não ter a menor razão para nada
tudo seria tão pequeno
tudo seria tão pouco
tudo
pessoas tristes
flores tristes
tardes tristes
e tudo que assistisse
faria assim como fosse morrer
Estrelas que brilharam tanto
inesquecíveis árias de grandes óperas
e hoje me ouvem os ouvidos
cantos de pássaros solitários
pássaros
de voos pequenos
como deveria ser tudo
uma velha negra e suas tetas murchas
a criança negra pendurada nelas
sujas, as bruxas girando em torno da cena
de formidáveis pessoas miseráveis ...
e a prata da cidade
que passa qual estrela cadente,
brilhando tanto!
e nas tetas da mulher, a derradeira gota de sangue
A alma se alimenta de leites improváveis ...
inapetentes almas em seu cruzeiro
Como o valor da Razão ...
como pessoas, flores
como o canto dos pássaros
como este voo rasteiro
Não deveria ter a menor razão para nada
tudo seria tão pequeno
tudo seria tão pouco
tudo
MAURO VERAS
Comentei com Mauro o verso
" de formidáveis pessoas miseráveis... "
Coincidente e interessante o fato de "pessoas" estarem entre estes extremos, entre o formidável e o miserável. Poeta que é poeta sabe o que fazer nestas horas. E Mauro, sacou rapidamente um poema inteiro (I nação - vide acima) que estava escondido sob um único verso deste seu GUETO.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Me poupe!
meu único acesso
ao teu coração
é por este decote V
e vens me dizer
que errou
na escolha da blusa?
RAUL POUGH
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Única
coca
várias delas; na minha
cola
várias delas; na minha
cola
mas
o que posso fazer
se só tenho olhos
para aquela pepsi ?
afinal
quem vê coca
não vê coração
RAUL POUGH
terça-feira, 24 de novembro de 2009
pg. 40
devagar com a dor
devagar com o andor
que o coração é de barro
NAILOR MARQUES JR.
in: "amor é o que não é" (1997)
sábado, 21 de novembro de 2009
O poeta é um rimador
corpo caliente
dolce far niente
(rita lee)
...
(rita lee)
...
samba de breque
toulouse-lautrec
(chico buarque)
Sedução
ah, a sedução!
pré-histórica deusa...
cuidado! cuidado!
ela pode te oferecer
uma maçã, um olhar, um beijo...
e, de brinde,
uma mortezinha,
que ninguém é de ferro!
RAUL POUGH
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
pg. 78
A quem me queima
e, queimando, reina,
valha esta teima.
Um dia, melhor me queira.
PAULO LEMINSKI
in: "Nothing The Sun Could Not Explain" (1997)
garota interrompida
todos os dias ela ligava
pra lembrar que estava tudo acabado...
mas sempre esquecia de dizer adeus
RAUL POUGH
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Buena dicha
depois de ti
o mau costume
de pressentir
em todo amor
estrume
GLÓRIA PEREZ
in: "Mercado de Escravas" (1984)
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Cáustica
você tem razão
quando diz que está
me fazendo mal
ainda bem...
afinal, o que seria
deste meu
incauto vício de lutar
guerras perdidas?
e deste oscar
de pior roteiro adaptado
o que seria?
the day after
ocaso, o caos, apocalipse
então?
pois é...
você tem razão
quando diz que está
me fazendo mal
garçon:
por favor
outro coquetel de dores
na mesa oito
RAUL POUGH
domingo, 15 de novembro de 2009
Nº 7
nossas chuvas
embaixo do chuveiro
o sabonete:
louca lasca de tempo:
pedra de esfregar carinho
ANÍSIO HOMEM
in: "Golondrinas" (1991)
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
"Mattina" - o minimalismo de Ungaretti
Mattina:
M’illumino
d’immenso
GIUSEPPE UNGARETTI
(*) Uma preciosidade, esse exemplar de linguagem concentrada, escrito em 1917.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Héracles
Ninguém sabe
degustar
um segredo.
Ele tem a cara
de um câncer.
Ele tem o cheiro
de um medo.
Eu verto silêncios
e aromas de baunilha
nesses dias entristecidos.
Eu perambulo
pelos endereços
inábeis
dos tempos felizes.
Eu sofro
de amores voláteis
desandando
a maionese dos magos.
JULIO ALMADA
in: Em Um Mapa Sem Cachorros (2009)
sábado, 7 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Profana
A cor do amor é branca,
e o amor tem uma covinha do lado direito do rosto
e o amor me olha como alguém
que jamais vai tirar a minha calcinha
e gozar o céu dentro de mim.
O amor sempre vai me olhar
como se eu estivesse num altar de papel.
Para o amor, eu sou uma rima
e rima não tem vagina.
Para o amor, eu sou uma ode
com uma ode ninguém fode.
Eu sou um verso alexandrino
jamais tocado pelo herdeiro deste nome.
Eu sou a palavra, e a palavra, a palavra é Deus
Deus ninguém come, mas,
será que beber
pode?
BÁRBARA LIA
in: NOIR (edição independente - 2006)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Para matar um grande amor (Jamil Snege)
Motivo de fraqueza maior me leva a reproduzir este texto, que eu já havia publicado no blog em 04/2007.
Muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. No entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida. É aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas a nós mesmos, ao mundo, ao universo inteiro. O amor relativiza; a renúncia absolutiza. E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos. Arrisco mesmo a dizer: só os amores verdadeiros se acabam. Os que sobrevivem, incrustados no hábito de se amar, podem durar uma vida inteira e podem até ser chamados de amor mas nunca foram ou serão um amor verdadeiro. Falta-lhes exatamente o dom da finitude, abrupta e intempestiva. Qualidade só encontrável nos amores que infundem medo e temor de destruição. Não se vive o amor; sofre-se o amor. Sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. Ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate e por fim se extingue e nos extingue com ele. Aponta numa única direção: o rompimento. Pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão.
Mas não se pense que esse é um gesto de covardia. O grande amor exige isso. O rompimento é sua parte complementar. Uma maneira astuciosa de suspender a tragédia, ditada pelo instinto de sobrevivência de cada um dos amantes. Morrer um pouco para se continuar vivendo. E poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado.
Há todo um imaginário sobre os adeuses e as separações, construído pela literatura e pelo cinema. O cenário pode ser uma estação de trem, um aeroporto (remember Casablanca), um entroncamento rodoviário. Pode ser uma praça ou uma praia deserta. Falésias ou ruínas de uma cidade perdida. Pode estar garoando ou nevando, mas vento é imprescindível. As nuvens devem revolutear no horizonte, como a sugerir a volubilidade do destino. Os cabelos da amada, longos e escuros, fustigam de leve seus lábios entreabertos. Há sutis crispações, um discreto arfar de seios. E os olhos, ah!, os olhos... A visão é o último e o mais frágil dos sentidos que ainda nos une ao que acabamos de perder.
Uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro. Que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira...
Jamil Snege (1939-2003), escritor curitibano, um cara fantástico, de sensibilidade e percepção incríveis. O texto acima é uma das coisas mais lindas que já li.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Sangra sono
acordo! dou de cara
com o lado noturno da cama
viciado em vazio
mas, e o sobressalto?
de estranho isso tem o que?
afinal, naquela época
era pegar ou largar
eu peguei
e você largou...
RAUL POUGH
sábado, 24 de outubro de 2009
E-ma il
----- Original Message -----
From: Antirreformista
To: Reformista
Sent: Saturday, October 24, 2009 3:18 PM
Subject: O Sequestro do Trema
não, não me interessa
a garota de ipan ema
as tranças da irac ema
o trem pra saquar ema
o whisky no gogó da ema
o canto enduetado da siri ema
a clara, tampouco a g ema
a pomada pra ecz ema
pra h ema toma ou ed ema
ema ema ema emador, quero ver depressa...
o incenso azul da alfaz ema
amalgamado na fumaça do cr ema tório
se o tal rômulo realmente r ema
se o fígado do ad ema r
requer epocler ou epar ema
se minhoca é macho ou f ema
definir o esqu ema
escolher o estratag ema
se - ordem e progresso - é l ema
entender o teor ema
sobreviver ao sist ema
se bell deu aquele telefon ema
se me repito em fon ema
estereótipo ou embl ema
se tudo é questão de s emâ ntica
se engordou a emma thompson
ou se i ema njá ema greceu
se eutanásia é razão extr ema
pra um roteiro de cin ema
talvez, quem sabe, um po ema
não; não discuto nenhum t ema
só me incomoda um dil ema
um único probl ema:
o sequestro do tr ema
RAUL POUGH
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Não! Você não chegaria a essa conclusão sozinha...
Rompe-se
o rosário da certeza
e as contas,
espalhadas pelo assoalho,
resvalam,
no silêncio interrompido.
Quem diria
que seria você
a assassinar a Beleza,
Nick Cave de saias,
[usando]
palavras como alfaias,
de parco valor embutido.
RICARDO POZZO
Beijo no asfalto
pelo sim,
pelo não,
foi atropelo.
quem, de nós,
ultrapassou
sinal vermelho?
qual dos dois,
está estendido
no chão?
VALÉRIA TARELHO
poemadia.blogspot.com
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Day easy
para deisi perin
o sol
ainda está a meio-parto
quando o dia surge fácil
rapel...
é quando esta pagu
desconfina-se entre paredes
faz pouco caso dos deuses
flerta com demônios inquietos
desliza em versos de cordel
desafiando as cordas; ouvindo
ravel...
RAUL POUGH
Friends...
- E aí?
- E aí, o que?
- Como é que foi?
- Foi como sempre, porra!
- Sempre? Mas não é só uma vez ao anus?
- Cê tá de sacanagem!
- Desculpa aí, foi mal... uma vez ao ano.
- Como sempre: o cara enfiou um dedo lá,
nem quero saber qual...
- E tava tudo bem?
- E depois ele olhou o resultado do meu PSA.
- E aí?
- Disse que 2,16 pra minha faixa etária está ótimo.
Podia ir até 3,50.
- Marcou o retorno?
- Que retorno, seu bosta? Tá de sacanagem outra vez?
- Pô, desculpa aí, foi mal...
- Vai tomar no cu, seu viadinho!
- Taí! Se tem um troço que não tenho, é inveja... (fui)
- Péra aí, volta aqui seu babaca!
Sexo poderia ser sujo se eu não soubesse escrever poesia (ou começo e fim)
A tua porra no meu corpo.
Sou uma puta suja.
Mas, uma puta tua.
LETICIA FONTANELLA
leticiafontanella.blogspot.com
terça-feira, 20 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Bonito
Se o que soa de ti me agrada aos ouvidos
Digo: - és Bonito além de o rude viver
Se o eco em mim te faz arder
Acredite Bonito, me dói saber - sou adido,
Meus conflitos vivem de expedientes:
Um dia sóbrios a galgar vertigens
Noutros - estridente ócio maldito.
O ranger de dentes não é pré-requisito.
Ouça – Bonito!
O que nunca pude dizer:
A vida voa
O desejo vil
A resignação vã,
E o que resta entre nós e outras manhãs
É letivo, Te faço saber.
Alterações ortográficas vãs
Verbo no infinitivo.
Ser.
MARIA JÚLIA PONTES
ciadapoesia.blogspot.com
sábado, 17 de outubro de 2009
Patricinha de bordel
benetton, eram os óculos
o batom, era givenchy
valisère, era o sutiã
a camiseta, hering
triumph, era a calcinha
a calça, era wrangler
de artesanato barato, o cinto
as meias, eram still
e era fila, o tênis da puta
RAUL POUGH
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Literatura celular
A programação da Mostra Sesc de Artes de 2008 tinha como um de seus objetivos levar literatura para os lugares mais diferentes. Os microcontos e nanocontos de diversos escritores disparados via SMS do projeto Literatura Celular, por exemplo, circularam desde a abertura da Mostra, no dia 8/10, entre os celulares de quem havia se cadastrado no site e de quem já havia recebido mensagens repassadas por amigos. Do que circulou na época, alguns dos SMS que resultaram nestes contos mínimos são reproduzidos a seguir:
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TORPOR
Fedor. Passo. Não! Arfa avança tateia. Morto pesa pacas.
O bodum tonteia. “”Pô!”" Passo. Queda. “”Não!”" Já era.
A. Guzik
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Periferia, becos, vielas,
E só vejo… poesia.
Alessandro Buzo
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AMÉLIA
Jantar mudo de chamadas perdidas: eu, mulher-de-verdade,
destupro meu destino na entranha do peixe. Me calo.
Ana Rüsche
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As nuvens de chuva se afastaram. Ele foi à janela.
O cão ainda agonizava entre o corpo dela e o muro.
André de Leones
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Amor deles água de barrela:
ele gostava do Rimbaud; ela do Rambo.
Evandro Affonso Ferreira
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VENTRÍLOCO
— Quem tá falando, eu ou você?
Fernanda Siqueira
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SEREIA
Chegou na cela.
— Por que olha para esse copo d’água?
O velho disse:
— 15 anos e não sei. Chega agora e quer saber?
Ferréz
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kd vc agora?
virei oceano sem adeus nem volta
tdu foi amor :,(
:,(
não era onda
Flávio Viegas Amoreira
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50 ANOS
De hoje em diante só faço o que quero.
“É cedo pra isso”, disse minha mãe,
que nunca se deu ao luxo.
Ivana Arruda Leite
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PARTO
No lixão, a mendiga força o bebê pra fora:
Se tu entala, te faço voltar pra barriga, fio-da-puta.
João Silvério Trevisan
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METÁFORA
Aquele catavento é um homem.
Lirinha
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8 MM
Estourou o céu da boca; Ele escutou a sua prece.
Luciana Miranda Pennah
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Detalhes
São o que as pessoas expõem de si. Ou o que conseguimos ver delas.
Alguns nos inspiram quadros cubistas.
Outros, quebra-cabeças.
Outros, colchas de retalhos.
Num pintar, montar, construir ad infinitum. Sempre por fazer.
E outros, nunca nos damos o trabalho de unir.
Ficam melhores assim. Mais belos.
MAÍLA DIAMANTE
eolika.blogspot.com
domingo, 11 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Onomatopéia de um banho
Treeec. Tusc tusc tusc.
Plim. Plim plim plim plim plim plim plim plim.
La la La.
Wash wash wash la la la La.
Toc toc toc toc la la la toc toc toc plim. Toc.
Plim plim plim plim.
Tusc tusc tusc treeec.
Plim.
LETICIA FONTANELLA
(*) Obviamente, de alguém que gosta de cantar sob o chuveiro... será ela?
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Sertanejão... pra quem gosta
Nóis enverga mais não quebra, nóis chacoalha e não derrama
Nóis balança mais não cai, nóis é brabo e bom de cama
De bobo nóis não tem nada, só a cara de coitado
Nóis se finge de leitão, pra poder mamar deitado
Osso duro de roer, somos nóis aqui do mato
Tomando cachaça pura, comendo ovo de pato
Capinando a nossa roça, contando boi na invernada
Nóis não tem dor de cabeça, não se encomoda com nada
De noite nóis vai pra festa e arrepia no bailão
Mulher bonita e gostosa, nóis ganha é de montão
Onde tem moda de viola e catira nóis tá no meio
Nóis não liga pra dinheiro, nóis já tá com saco cheio
TIÃO PEREIRA / AFONSO MENDES
domingo, 4 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Chuva e não (II)
Há dias em que chove poesia.
Dias em que pinga.
Dias em que não.
Cautela para os primeiros.
Atenção para os segundos.
Dos últimos, o áspero
aprendizado do silêncio,
a dura ração da recusa.
Alheios à chuva e poesia,
os dias prosseguirão.
SIDNEY WANDERLEY
pirateado do blog: enredosetramas.blogspot.com
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Ensaio sobre a crueldade
traiu-me; fugiu com outra
mijou nas minhas orquídeas raras
mijou nas minhas orquídeas raras
zombou do meu amor-perfeito
RAUL POUGH
Receita para a felicidade em Khabarovsy ou em qualquer parte
Um grandioso bulevar com árvores
um Café grandioso ao sol
com café preto e forte em xícaras minúsculas
Alguém não necessariamente muito lindo,
homem ou mulher, que te ama
Um belo dia
LAWRENCE FERLINGHETTI
in: Vida Sem Fim (tradução de Paulo Leminski)
domingo, 27 de setembro de 2009
É pegar ou largar...
Sou incapaz de viver muito tempo na calma;
apaixonada por transformações, ansiosa e exigente.
Não me falta resistência nem energia
e dou tudo de mim em situações difíceis.
Lúcida, tenho espírito penetrante;
crítica e perspicaz (será?).
Determinada, concentrada, confiante.
Não me deixo influenciar, mando na minha vida,
portanto sou responsável pelo o que nela acontece,
independente de me elevando ou caindo.
Não gosto de ser contrariada,
nem que me indaguem dos meus motivos.
Forço situação; sutil, ardente, leal.
Ajudo, a mim ou aos outros, se eu quiser.
Vingativa, antagônica, sarcástica, violenta.
Auto respeito.
Não me preocupo com o que os outros pensam,
pois tenho uma boa opinião de mim
(o que não significa que é boa pra você).
Tenho-me como garantida. Julgo bem.
Quero segurança emocional. Tudo ou nada.
Ar impenetrável, face de jogador de pôquer.
Não esqueço quem me ajuda,
muito menos quem me prejudica.
Meus desafios são constantes, desde o financeiro ao sexual.
Ainda tenho que aprender a dar,
receber e compartilhar recursos e prazeres.
Sou ambiciosa (por vezes não aparente).
Espero oportunidades e pego-as imediatamente.
Olhar magnético, linguagem envolvente.
Ritmo biológico acelerado,
energia concentrada na expressão física, inquietação motora.
Vivo atraindo acidentes e morte brusca (morte não física).
Ação das emoções sobre a base corporal.
Inserção rebelde do ego aos contextos convencionais.
Reflexos rápidos e audácia provocativa,
caráter anti-conformista.
Temperamento vital-motor, humor paradoxal.
Pensamento engenhoso,
de fluxo intermitente e conteúdo experimental,
concentração dispersiva, memória seletiva.
Gostos elaborados, hábitos inusitados, moral transformadora.
Impulsos primários de rebelião criativa.
Tendência à imprudência.
Sensível, inconstante e erótica.
Sensualidade experimental intelectualizada.
Paixões ardentes e possessivas,
emoções e sentimentos poderosos e imaginativos.
Busca do novo e impensado.
Amor ciumento, obstinado e rancoroso.
NAYANE CALDAS
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Dureza
aposto
um risco no chão
como
você não sabe
quantos
sertões milágrimas irrigam
aposto
um risco no chão
como
você não sabe
quanto tempo dura
cem anos de solidão
MÚCIO L GÓES
domingo, 20 de setembro de 2009
(*)
... Numa paz insatisfeita,
no tédio e na tolerância, apenas o adultério prova
a dedicação, através do risco; só a energia da traição
faz o sangue bombardear o peito, como se fosse de alegria.
DONALD HALL
in The One Day: A Poem in Three Parts
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
sábado, 19 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Literatura minimalista
A literatura minimalista é caracterizada pela economia de palavras. Os autores minimalistas evitam advérbios e preferem sugerir contextos a ditar significados. Espera-se dos leitores uma participação ativa na criação da história, pois eles devem “escolher um lado” baseados em dicas e insinuações, ao invés de representações diretas. Os personagens de histórias minimalistas tendem a ser banais, comuns, inexpressivos, nunca famosos detetives ou ricos fabulosos. Geralmente, as histórias são pedaços da vida.
A raiz da literatura minimalista americana é o trabalho de Ernest Hemingway, e um dos melhores exemplos desse estilo é o seu "Hills Like White Elephants". Como Hemingway nunca descreve a entonação que a personagem assume quando fala, o leitor é forçado a interpretá-la baseado na resposta. Além disso, apesar da paisagem ser parte integrante de uma história, ela nunca é explicitada no minimalismo.
O nome mais associado a literatura minimalista, entretanto, é o do norte-americano Raymond Carver. Em contos de pouquíssimas linhas o autor procura captar a vida através de ângulos e personagens simples, inesperadamente transformados em figuras e fatos insólitos, misteriosos, mentirosos.
No Brasil tem crescido muito a produção de minicontos (ou microcontos), gênero associado ao minimalismo. Nesse sentido a obra Ah, é?, publicada por Dalton Trevisan em 1994, é considerada obra-prima do estilo minimalista.
Em 2004 o escritor Marcelino Freire resolve radicalizar e lança o livro Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, em que convida cem autores para escrever histórias de até 50 letras (sem contar título e pontuação). No ano seguinte, a Editora Casa Verde leva a idéia para o Rio Grande do Sul, lança o Contos de Bolso, e desta obra surge o que talvez seja o menor conto já produzido em Língua Portuguesa, de Luís Dill: Aventura Nasceu.
pt.wikipedia.org
in: "Adaptação"
- você é mais radiante do que qualquer formiga
- foi a coisa mais gentil que alguém já me disse
- é porque eu gosto de você
(diálogo entre Nicolas Cage e Meryl Streep, no filme "Adaptação")
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