status quotidianus, desvairamentos específicos, alucinações genéricas, poesia textual, imagética, minimalismo, alka-seltzer y otras cositas más...
sábado, 30 de julho de 2011
Súplica
A provar que hei perdido a segurança
Desde, Senhora, que cheguei a ver-vos,
Ao juízo recusam-se-me os nervos,
E sucede-me insólita mudança.
Tremo por mim, pesar que a linda e mansa
Face vossa me induza a vir dizer-vos
Esta infinita insânia de querer-vos
E na alma quanto sinto de esperança.
Apiedai-vos de mim, cuja loucura
Em toda parte só divisa abrolhos
Depois de ter o olhar de leve posto
Em vosso airoso talhe, em vossa alvura,
Nas duas noites que mostrais nos olhos,
Nas duas rosas que trazeis no rosto.
ANÍBAL TEÓFILO
quinta-feira, 28 de julho de 2011
A pedido
Pediram-me um soneto rendilhado,
Feito de luz e sombra, e de perfumes;
Que o verso fosse terso, ethéreo, alado,
E que brilhasse como vagalumes;
Que eu fizesse um soneto aprimorado,
Sem provocar dos novos negros ciumes;
Que fosse sóbrio como um namorado
Que não tivesse amôr e vãos queixumes.
Fiz os primeiros versos num instante,
Todos serzidos de beryllo e rosas,
Com “laços d´oiro” e gemmas do Levante.
Mas ao passar pra o último tercetto,
Achando as rimas futeis, desgraciosas,
Rasguei sem terminar o meu soneto.
FRANCISCO GASPAR
quarta-feira, 27 de julho de 2011
solteira em depoimento lúgubre
minha vida afetiva foi ficando escassa
depois rarefeita
depois rara
depois nunca.
ANA ELISA RIBEIRO
depois rarefeita
depois rara
depois nunca.
ANA ELISA RIBEIRO
quinta-feira, 21 de julho de 2011
ferido de morte
me deixe quieto
no meu canto
não toque no rádio
não mexa na ferida
nem provoque o sonho
deixe a noite
acontecer sem pressa
não fale meu nome
não atravesse a ponte
fique onde estás
e me deixe entregue
ao meu silêncio
hoje,
eu calo por nós dois
ADEMIR ANTONIO BACCA
quarta-feira, 20 de julho de 2011
a realidade é uma oficina pirogênica
no sopé
da grande bunda pasmacenta
a cloaca sagrada expele repugnâncias e bem-aventuranças
que o artista decompõe pacientemente em seu
atelier psicobélico de inutilidades
cada fibra
cada naco putrefato levado ao sol
cada rejeito dejeto embalagem plástica reciclada
uma fratura exposta, acinte-impropério, artefato belicoso
sob encomenda para a Bienal Internacional das Artes
de São Joaquim de Campos Leão
enquanto isso a cidadela se diverte
na opulência de sua indiferença degenerada
costela gorda chiclete com farofa drogas mentiras
[e sexo pago
integralmente deduzível da pessoa física
ALEXANDRE BRITO
terça-feira, 19 de julho de 2011
travessia do deserto
Horizonte oco invisível,
destino solto.
Deixei de ser urbano,
Sou feliz.
Corpo de flor-de-lis
e boca, boca de pano
palco e luz.
Meu coração repousa em cruz,
fala surda que não se escreve;
e muda.
Construo o deserto
- oásis, de grão em grão.
Camelos aguardam por nós.
FLÁVIO MOREIRA DA COSTA
cotidiano
Degolaram um anjo na praça
Horror e sangue entre as árvores
Não sei se devo me inquietar
ou apenas encarar friamente
É do ritmo do mundo que haja mortes
e os anjos não servem para nada
VITOR BIASOLI
domingo, 17 de julho de 2011
A moça do sonho
Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó
Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu
Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais
CHICO BUARQUE / EDU LOBO
sábado, 16 de julho de 2011
LUZIA
Éramos jovens, eu sei, a inventar amores
e a desenhar no céu, e a brincar de consciência
Hoje, holocausto de sortes, vi você
Multiverso de ses numa história não escrita
Fiquei emocionado, eu confesso
Com a beleza final de toda a inexistência
e a desenhar no céu, e a brincar de consciência
Hoje, holocausto de sortes, vi você
Multiverso de ses numa história não escrita
Fiquei emocionado, eu confesso
Com a beleza final de toda a inexistência
EMERSON PERETI
quinta-feira, 14 de julho de 2011
(Sétima elegia, Terceira Sede)
Essa sensação de ir descalço, a camisa
cheirando a sol de varal.
Tu, minha mulher, eras corrente e água calma,
as oscilações da palha e trigo.
as oscilações da palha e trigo.
Teu corpo arvorava nos lábios indecisos ou nos cabelos?
Na encosta da cinta ou nas dunas dos seios?
Quando começavas a te revelar? No desejo apetecido
ou na fome de um filho?
Como definir se a luz deitou as vestes?
Cumprias distâncias em mim.
Madrugando não alcançaria.
Venho de tua lonjura, os braços eram remos
no barco e aço da âncora.
Acostumado à extensão das raízes,
não sobrevivo no vaso dos pés.
Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço.
Como povoá-lo após tua partida?
FABRICIO CARPINEJAR
quarta-feira, 13 de julho de 2011
solidão
Quando estamos sozinhos
diante da vida
buscamos sem fôlegoa paz esperada... a luz colorida
Que preencha o vazio
a angústia do nada
e bate a esperança
Abrem-se as cortinas
e então, como nos sonhos,
o amor fica leve, bonito, tão puro
Mas tudo é tão rápido
Que logo fica escuro,
Frio e sem vida
E termina o capítulo
com o “the end” infeliz
que nem mesmo uma fada
poderia entender
o que esse coração
sofrido e amargo
sussurra baixinho
no ouvido na atriz!
ROSANGILA RAFFO
terça-feira, 12 de julho de 2011
Neruda

Em 1921, passa morar na cidade de Santiago e estuda pedagogia no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile. Em 1923 publica "Crepusculário" e no ano seguinte "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada", já com uma forte marca do modernismo.
No ano de 1927, começa sua carreira diplomática, após ser nomeado cônsul na Birmânia. Em seguida passa a exercer a função no Sri Lanca, Java, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e Madrid. Nestas viagens, conhece diversas pessoas importantes do mundo cultural. Em Buenos Aires, conheceu Garcia Lorca, e em Barcelona Rafael Alberti.
Em 1930, casa-se com María Antonieta Hagenaar, divorciando-se em 1936. Logo após começou a viver com Delia de Carril, com quem se casou em 1946, até o divórcio em 1955. Em 1966, casou-se novamente, agora com Matilde Urrutia.
Em 1936, explode a Guerra Civil Espanhola. Comovido com a guerra e com o assassinato do amigo Garcia Lorca, compromete-se com o movimento republicano. Na França, em 1937, escreve "Espanha no coração". Retorna neste ano para o Chile e começa a produzir textos com temáticas políticas e sociais.
No ano de 1939, é designado cônsul para a imigração espanhola em Paris e pouco tempo depois cônsul Geral do México. Neste país escreve "Canto Geral do Chile", que é considerado um poema épico sobre as belezas naturais e sociais do continente americano.
Em 1943, é eleito senador da República. Comovido com o tratamento repressivo que era dado aos trabalhadores de minas, começa a fazer vários discursos, criticando o presidente González Videla. Passa a ser perseguido pelo governo e é exilado na Europa.
Em 1952, publica "Os versos do capitão" e dois anos depois "As uvas e o vento". Recebe o prêmio Stalin da Paz em 1953. Em 1965, recebe o título honoris causa da Universidade de Oxford (Inglaterra). Em outubro de 1971, recebe o Prêmio Nobel de Literatura.
Durante o governo do socialista Salvador Allende, é designado embaixador na França. Doente, retorna para o Chile em 1972. Em 23 de setembro do ano seguinte, morre de câncer de próstata na Clínica Santa Maria de Santiago (Chile).
Obras de Pablo Neruda:
Crepusculario.
Veinte poemas de amor y una canción desesperada.
Tentativa del hombre infinito.
El habitante y su esperanza. Novela.
Residencia en la tierra (1925-1931).
España en el corazón. Himno a las glorias del pueblo en la guerra: (1936- 1937).
Tercera residencia (1935-1945).
Canto general.
Todo el amor.
Las uvas y el viento.
Odas elementales.
Nuevas odas elementales.
Tercer libro de las odas.
Estravagario.
Cien sonetos de amor (Cem Sonetos de Amor).
Navegaciones y regresos.
Poesías: Las piedras de Chile.
Cantos ceremoniales.
Memorial de Isla Negra.
Arte de pájaros.
La Barcaola.
Las manos del día.
Fin del mundo.
Maremoto.
La espada encendida.
Invitación al Nixonicidio y alabanza de la revolución
fonte: netsaber.com.br
...
Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
PABLO NERUDA
segunda-feira, 11 de julho de 2011
apocalipse now!
ela me prometeu
um inesquecível e feliz
the end
>h%7)+>?#&¨@4;k!$\°(“ç§.
ainda bem que eu
já não acreditava em
duende
já não acreditava em
duende
RAUL POUGH
domingo, 10 de julho de 2011
(nota de rodapé de árvore)
voltei há um ano.
comi amoras no pé, as mesmas amoras.o pé era o mesmo,
meus pés cresceram.
não voltei para casa
deliciosamente espancado,
com a hering exangue do
fruticídio.
e já não aconteceu
o limão frutificar,
entre flores de maracujá,
num dos galhos invisíveis.
a amoreira, sem criança
que pese no durame,
se não escrevo o poema,
não passa de uma amoreira.
RODRIGO MADEIRA
Fã número 1
Você nem desconfia e o que eu não daria
Por seu amor
Onde você anda
Nem sei como chamo a sua atenção
Que eu existo aposto que pode dar certo
Esse romance aberto dentro de mim
Você nem imagina que eu te inundaria
Toda de som
Luz da ribalta
Te quero no palco
Entra em cena faz seu número
Faz meu gênero ser seu fã número 1
Ali no gargarejo jogando beijo
GUILHERME ARANTES
sábado, 9 de julho de 2011
alternâncias
um dia da fênix
outro do urubu
ontem, eu era cinzas
hoje, a carniça habita em mim
qual será o meu fim?
RAUL POUGH
Tu vais entender
Um dia tu vais entender...
porque o sol morre
a dor te marca o corpoa saudade te faz chorar
Um dia tu vais entender...
o sentido do medoa razão do silêncio
o eco nos montes
a vida que vai...
Um dia tu vais entender...
porque um amor partea lágrima cai
calma e serena
ou forte e doída
o vazio enfastia
a fartura angustia
e uma sede de vida
te faz ficar...
Ah, tu vais entender...
a razão do poeta em seus versos tão tristes
o cego que vê
a expressão do teu rosto
que mostra a todos
a vida que te trouxe
só dor e desgosto...
ROSANGILA RAFFO
szórakozott gyözelmünk
DISTRAÍDOS VENCEREMOS, lançado em 1987, foi o último livro de poemas que Leminski publicou em vida (posteriormente foram lançados mais dois). Em 1994 foi lançado na Hungria com o título de SZÓRAKOZOTT GYÖZELMÜNK ("Nossa Senhora Distraída"). O exemplar da foto é meu, obtido diretamente junto à editora em Budapeste. De acordo com a Ágnes, que me enviou o livro, restou apenas um exemplar lá, do acervo deles. Portanto, uma raridade no Brasil. O idioma húngaro é, para mim, um completo mistério. Mas, segue abaixo um dos poemas, com sua versão original:
a régi füzetet nézem
azt meséli
hogy örök voltam régen
abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno
azt meséli
hogy örök voltam régen
abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno
PAULO LEMINSKI
sexta-feira, 8 de julho de 2011
o bêbado e o versilibrista
I
espichou o olhar etilizado
para aqueles versos cambaleantes
sem nada entender
onde a métrica?
onde a rima?
e o ritmo?
II
é o seguinte, amigo
não me leve a mal
(tenta explicar o bardo
com ar professoral:)
são versos livres, modernos
falam de quimeras, de deus
de céus e de infernos
de invernos e primaveras
onde rimar, não é tudo
o que importa é o conteúdo
III
ah! acho que entendi:
cantas porque o instante existe
e a tua vida está completa.
não és alegre nem triste:
és poeta.
poetar, basta um motivo
RAUL POUGH
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
expectativas
tudo começa
do mesmo jeito
diferente
o que se quebra
pesa mais
do que o sonho leva
como se o dia
não passasse
dessa noite
do mesmo jeito
diferente
o que se quebra
pesa mais
do que o sonho leva
como se o dia
não passasse
dessa noite
ALICE RUIZ
heptáfio IV
(para um vendedor de sabonetes)
sete palmo(live)s
underground
lux, lever more
RAUL POUGH
sete palmo(live)s
underground
lux, lever more
RAUL POUGH
...
Estou com uma pança
meio sancho, preso numa
dança meio
mambo,
vendo uns fantasmas
meio moínhos,
conversando com
almas meio
daninhas, querendo
alisar meus pêlos
com a escovinha
da poesia dos meus
pergaminhos.
CLÁUDIO BETTEGA
terça-feira, 5 de julho de 2011
Creio
Agora acredito ...
na vida
na esperança incontidana dor que finda
Agora acredito...
na sorteno forte
na morte
no acalento
no pequeno rebento
que traz para o mundo
uma gota de vida...
que cura a partida
da pessoa querida
Agora acredito...
no orvalho na folha
no sabão que virou bolha
para que o menino a colha
Hoje, meu amor, eu acredito...
que a paz existe
que a vida insiste
em nos dar um fim... bonito!
ROSANGILA RAFFO
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